quarta-feira, 17 de junho de 2009

A Colombiana


Domingo chuvoso na capital do sol. Aguardo pacientemente na fila do check-in do voo da TAM, que me levará a Brasília. Na capital federal, aguardam-me algumas reuniões no dia seguinte que me irão preencher o dia por completo. Dedicaria a segunda-feira ao trabalho e aproveitaria a terça-feira para conhecer a fundo a capital brasileira. No dia seguinte, estaria de regresso a Natal para retomar as minhas rotinas.
Após ter cumprido as formalidades no balcão da companhia aérea, dirijo-me vagarosamente para a sala de embarque. Dou de caras com alguns políticos estaduais que estariam de regresso ao distrito federal para mais um semana de trabalho. Na outra extremidade da fila de cadeiras onde me encontro sentado, está uma mulher que chama a minha atenção. Pele morena, cabelos negros e encaracolados que lhe batem pelo meio das costas e um corpo magnifícamente torneado. Ela surpreende o meu olhar e eu refugio-me discretamente no jornal que trazia comigo. No entanto, os textos pareciam-me desconexos. A minha atenção tinha sido momentaneamente transferida para aquela mulher. Sorrateiramente, continuava a observá-la. Tinha um rosto simpático e uma sensualidade natural, uma daquelas mulheres que não precisa de grandes artifificialismos para ser atraente. Um sorriso ténue moldava-lhe uns lábios grossos e ligeiramente rosados. Subitamente, ela volta o rosto na minha direcção e surpreende-me mais uma vez a olhar para ela. Sorri abertamente, mostrando uma perfeita fileira de dentes cor de pérola. Sinto-me enrubescer e retribuo com um esgar facial que suponho ter sido perfeitamente ridículo.

Entretanto, uma voz monocórdica chama os passageiros para o embarque final. As pessoas vão formando fila e seguem caminho para o interior do avião. É-me destinado um dos lugares na rectaguarda da aeronave. Enquanto guardo as minhas coisas na bagageira acima da minha poltrona, olho em redor. Queria saber onde se iria sentar aquela morena que tinha chamado a minha atenção. Vejo-a a avançar lentamente, procurando o número do seu assento. Curiosamente, senta-se do lado contrário de onde eu me encontrava e duas filas mais atrás. Alguns minutos mais tarde, estamos no ar. Durante a primeira meia hora de voo, cruzamos os nossos olhares por mais duas ou três vezes. O lugar ao meu lado tinha ficado vazio e ocorre-me uma ideia. Olho para trás novamente e observo que ela está sentada ao lado de uma senhora de meia idade. Encho-me de coragem, abro um sorriso e faço sinal para que se sente do meu lado. Ela devolve o sorriso e acena com a cabeça num sinal afirmativo.
Quando se senta a meu lado, sou surpreendido com um caloroso cumprimento em espanhol. Pela aparência física julguei tratar-se de uma brasileira. Possuo apenas noções elementares da língua castelhana mas faria um esforço para manter um diálogo coerente. Começamos pelas apresentações. Elisa era colombiana e diplomata creditada na embaixada do seu país em Brasília. Não me adiantou a idade, mas calculei que deveria ter uns trinta e poucos anos. Disse-me que tinha passado as últimas duas semanas de férias e tinha aproveitado para conhecer o nordeste brasileiro. Ela também ficou espantada quando lhe digo que sou português e confessou ser grande conhecedora da obra de Fernando Pessoa. Aproveitamos para partilhar algumas opiniões sobre o Brasil na óptica de estrangeiros residentes, falamos do nosso trabalho e de nossas cidades de origem.

A conversa fluiu solta e descontraída como se fossemos amigos de longa data. De vez em quando, pedia-lhe para falar mais devagar porque sentia algumas dificuldades para a compreender. Por mim, a viagem poderia ter durado umas dez horas que eu não me importaria nada. Elisa era uma conversadora nata e tinha o dom de encantar com as palavras, o que contrastava com a minha habitual contenção no uso das palavras. Eu deliciava-me a observar uma pequena covinha que ela fazia na bochecha direita quando sorria.
A viagem foi rápida demais. Quando me apercebo estamos a aterrar no aeroporto Juscelino Kubistchek. Saímos do avião e vamos para o salão de desembarque com o intuito de aguardar as bagagens. Continuamos a nossa conversa. De pé, dava para apreciar ainda melhor a silhueta de Elisa que era verdadeiramente tentadora.
Na saída do aeroporto, quando me preparava para fazer as despedidas e apanhar um táxi, ela pergunta-me onde eu iria ficar hospedado e se necessitava de transporte. Reparo que acaba de chegar um carro preto, com matrícula diplomática que estaciona junto dela. Tento declinar o convite mas ela insiste em acompanhar-me até ao hotel. Era a minha primeira vez em Brasília e retiro do bolso um papel onde tinha anotado a morada do Quality Resort Lakeside, onde ficaria hospedado. Ela olha e diz que sabe perfeitamente onde fica. Pede ao motorista para colocar a minha mala na bagageira do automóvel, instalamo-nos no banco traseiro e seguimos viagem para o Setor de Hóteis e Turismo Norte.
Na chegada à portaria do hotel, Elisa pergunta-me até quando eu ficaria na cidade. Respondo-lhe que regressaria a Natal na quarta-feira seguinte. Pergunta se pode ficar com o meu número de telemóvel e se me poderia ligar. Com um sorriso, respondo-lhe que me poderia ligar à hora que quisesse. Ela anota o meu número, despede-se com um caloroso beijo no meu rosto e mete-se dentro do carro que arranca velozmente.

Os dias em Brasília decorreram dentro da normalidade. Cumpri a minha agenda e aproveitei a véspera da partida para conhecer a magnífica arquitectura daquela cidade. Elisa ainda pairava na minha memória mas já tinha perdido as esperanças que me ligasse. No entanto, ao final da tarde de terça-feira, recebo uma chamada de Elisa. Começou por se desculpar por me estar a ligar muito em cima da hora, mas que gostaria de me convidar para jantar num restaurante português que lhe tinham aconselhado. Não hesitei por um segundo e aceitei o convite. Seria o encerramento com chave de ouro daquela viagem. Disse que passaria no hotel daí a duas horas e num tom provocador, pede que eu me ponha bonito para ela. Não resisto a soltar uma sonora gargalhada e digo-lhe que espero o mesmo por parte dela.
Quando chego ao quarto do hotel, aproveito para tomar um banho demorado, barbear-me e vestir um fato que tinha trazido na bagagem. Olho-me no espelho e gosto do resultado final. Com uma pontualidade britânica, Elisa liga-me às oito horas em ponto. Estava na recepção à minha espera. Antes de sair do quarto, aproveito para me perfumar um pouco e desço ao encontro da colombiana. Quase que não a reconhecia. No dia da chegada à Brasília, apresentava-se com roupas mais leves. Naquela noite, estava com um elegante conjunto de saia e casaco de cor cinza, bem adequado às suas funções na embaixada. O cabelo estava muito esticado e preso num rabo de cavalo, que lhe realçava ainda mais, as harmoniosas linhas do rosto e a tez morena.

Ela leva-me a jantar no restaurante Sagres, que fazia jus às melhores tradições da culinária portuguesa. Uma vez mais, a nossa conversa decorria de modo alegre e espontâneo. Elisa não parava de elogiar o vinho alentejano escolhido por mim e, dizia-me sorridente que não se responsabilizaria por suas acções se eu pedisse uma segunda garrafa. Para prolongar ainda mais aquela conversa deliciosa, acabou por vir a segunda garrafa. Os olhares tornavam-se mais insistentes e provocadores. Num lampejo de ousadia, peço que passe a noite comigo. Os efeitos de desinibição provocados pelo álcool já se faziam sentir no meu organismo. Confesso-lhe em voz baixa, que a tinha desejado desde o momento em que a tinha avistado no aeroporto. Ela inclina a cabeça tímidamente, pega na minha mão, inclina-se sobre a mesa e diz-me que será melhor pedirmos a conta.
No regresso ao hotel, poucas palavras. Éramos dois adultos e sabíamos perfeitamente qual seria o desfecho daquela noite. Quando entramos no quarto, encosto-a bruscamente contra a parede e procuro sofregamente os seus lábios. Sentia uma tesão avassaladora tomar conta de mim. Viro-a de costas, subo a saia, desvio-lhe as cuecas para o lado e penetro-a por trás com toda a pujança. Precisa dar vazão aquele meu lado animalesco. Elisa não parecia incomodada com os meus ímpetos e correspondia na perfeição. Estava ali uma ilustração do que é o sexo animal de dois corpos que se desejam. Não demorei para soltar o meu gozo dentro dela.

Depois daqueles breves minutos de cópula intensa em que tínhamos saciado os nossos instintos mais primários, vamos para a casa de banho e tomamos um banho. Agora, bastante mais calmos, trocamos beijos intensos e vamos descobrindo os nossos corpos com carícias fogosas. Deliciosa aquela sensação de intimimidade debaixo do chuveiro.
Um pouco depois, estamos estendidos na cama. Eu observava e acariciava cada curvatura daquele corpo magnífico. Elisa ficava ainda mais bonita com o cabelo molhado. Aquele fulgor dos momentos iniciais é substituída por uma acalmia que nos fazia trilhar os caminhos do prazer sem pressas e com muito carinho. Dedico-me a percorrer-lhe o corpo com a língua. Invertemos posições e devoramos os sexos simultaneamente. Arranco-lhe gritos de prazer num orgasmo que inundou o meu rosto de mel e aromas inebriantes.
Avanço para cima de Elisa e penetro-a carinhosamente. Ela pede que a beije mais ainda. Uma perfeita fusão de corpos que encaixavam num sublime exercício de luxúria..Passamos o resto da noite nas mais diversas posições e descobrindo as mais variadas cambiantes do prazer. Custava a acreditar que tudo aquilo tinha tido início num cruzar de olhares. Dava quase a sensação de já termos sido amantes numa reencarnação anterior que se tinha resdescoberto num aeroporto. Acabamos por adormecer profundamente após o último orgasmo da noite que nos deixou completamente exaustos.
Na manhã seguinte, acordo com a boca extremamente seca e noto a ausência de Elisa no quarto. Tinha deixado um pequeno bilhete na cabeceira em que se despedia de mim em palavras ternas. Registou os seus contactos e expressou o desejo de me voltar a ver um dia, em Cartagena, a sua cidade natal. Duvido que ela saiba que até hoje, ainda sonho com esse reecontro nas areias do Caribe colombiano.



4 comentários:

Gata2000 disse...

E o que estás à espera? A columbia nesta altura do ano deve estar escaldante, e não há nada melhor que fugir à rotina (embora pelos textos, rotina seja uma palavra que não encontras o dicionario)

doiSabores disse...

Um relato cheio de desejo como sempre...
Beijos saborosos

Pedaços de uma alma apaixonada disse...

Perfeito como sempre.Simples de ler,delicoso de sentir.BeijoS Bernado.

Luna disse...

Lindo!

(E eu que estou quase a comprar uma casa em Natal, lol)

Bjs de Lua Cheia