terça-feira, 21 de abril de 2009

Blogosfera Erótica no Feminino


Na última edição da revista Única do semanário Expresso, o colunista Luís Pedro Nunes elabora de forma inteligente uma análise dos blogues eróticos femininos que vão conquistando cava vez mais espaço na internet. Como complemento ao artigo, o autor deixa-nos uma listagem dos blogues activos mais significativos nessa área. Fiquei satisfeito por vêr algumas das páginas que costumo acompanhar regularmente e cujas autoras são visitas usuais deste motel. Para quem ainda não teve oportunidade de lêr, transcrevo aqui o texto completo.

E a blogosfera das senhoras? Viram a reportagem na TV? Ah, é outra coisa... é que é completamente diferente da escrita blogosférica masculina! Não há cá galhofa nem politiquice... É toda uma sensibilidade, uma ternura, é a partilha, o gosto pelo tesão! Oh, desculpem, disse tesão? Perdão! Mas está dito, está dito. Já não há como retirar! Eis-nos pois no tremendo, multifálico, giga-orgásmico, polvilhado de muito poema de queca grasnada e foto a preto e branco de coito suado, mundo da blogosfera erótica feminina anónima portuguesa.

E isso existe? Dou-vos duas mãos cheias deles no finalzinho para fazerem as vossas vistas. Mas perante tanta malandrice e sacanagem revelada pelo submundo blogueiro não há como deixar rejubilar o bem que a tecnologia da informação também faz à libertação sexual das mulheres com a sublimação semipública de umas tarazitas e umas vontades incontidas de copular várias vezes ao dia em estranhos lugares e em variadas posições. Tudo isto em relatos de qualidade literária que equivalem à vida sexual de muita gente: normalmente fraca, umas vezes média mas também grandes momentos de talento e arte dignos de serem aplaudidos. Por estes relatos vamos sabendo - para contínuo espanto pudico masculino - que a cabeça de muitas das mulheres é tão povoada desses ímpetos como as nossas. Bem-haja o autocontrolo e as normas civilizacionais que impedem que tal se concretize a cada impulso, a bem da produtividade, da higiene dos espaços comuns e muitas vezes da estética.

Ora não se entra assim de repente neste "mundo de escrita erótica feminina", que oscila entre uma imagética sofisticada e o "Oh, come-me já!". A minha guia, Maria Árvore, que só conheço via mail, e que tem um blogue "pouco pornográfico para ser muito popular e pouco erudito para o gosto dos intelectuais", explica-me que esta cena blogueira é apenas o equivalente às "Maxmen" e "FHM" dos homens. E vai lançando provocações quando me percebe desanimado perante tanto link povoado de pilas e testículos, torsos contorcidos antes da explosão consumatória e murmúrios tremidos no teclado tipo "deixa-me dormir em ti". Revela-me: "Também te podes questionar se tanta teoria não é falta de prática". Noutra altura escrever-me-á: "É tudo mulherio pacífico que usa mais as mãos para descascar do que para cascar. Coragem!".

Coragem, então! A maioria é de contos e crónicas da descrição do acto sexual em si num tom confessional mas de pecadora assumida em escrita descarada: "Toma-me assim, contra a parede" é o que a ERC me deixa citar aqui. Não há cá analogias muito rebuscadas. Mas noutros também se podem ler intróitos tipo "perdidos em carícias que transmitiam luxúria nos beijos dos lábios carnudos", o que equivale num filme porno dos anos 80 aos primeiros 29 segundos de música. (Esta conversa tem a validade de uma investigação que durou uma tarde pois, verdade seja dita, há blogues que já produziram livros, como o 'Cenas de Gaja'). Mas deixem-me dizer que as senhoras anónimas, perceptivelmente de formação universitária, abusam da terminologia de trolha e não como interjeição mas como substantivação. Há ali mais palavrão que num Porto/Benfica, casa cheia, três penáltis descarados não marcados para cada lado.

E há também muita poesia de cunho próprio, fotografia monotemática (um só de rabinhos femininos, postados por uma menina persistente) e vídeos - embora me seja estranha certa conceptualização: não percebo porque é que um vídeo com sexo explícito com ar profissional esteja num blogue "alérgico a pornografia". É a banda sonora árabe que o despornifica? Escapa-me.

Há relatos de vida pessoal soft e hard, com e sem fotos pessoais sem cara e blogues de nicho (S&M), blogues escritos por adolescentes e balzaquianas e pós-balzaquianas assumidas que têm em comum isso: sexo. Ah desculpem: o erotismo, mesmo quando é pimpa-pimpa tal e qual nos sites da especialidade, dos 'masculinos'. Mas brincadeira mesmo, é nas caixas dos comentários. Ui.

Enfim. Minhas senhoras: parabéns! Divirtam-se e dado que finalmente vejo alguma utilidade para a blogosfera.

Luís Pedro Nunes in Única (18/04/2009)

6 comentários:

RedLightSpecial disse...

Obrigada por avisares Bernardo, mas já tinha reparado... :P
Tive ontem cento e muitas visitas vindas do link do Expresso, já agradeci inclusivamente ao senhor em questão a referência.
Que de algum modo este artigo sirva para libertar sexualidades reprimidas e dar o mote a novos "bloguistas" que partilhem as suas experiências, sonhos e desejos sem receios ou pudores.
Um beijinho para ti e para a Cláudia.

S disse...

Faltou a lista!

T disse...

Bernardo querido, espero que não te aborreças comigo, pus na no meu quarto e do S, a lista dos blogs..
Um beijo especial! E obrigada por nos teres transcrito esse artigo :)
As mulheres são qualquer coisa de fenomenal, hum? :)


beijos!!

DESIRE disse...

Uau! E eu que perdi esta leitura!
Fiquei curiosa...como é que o jornalista descobriu a formação universitária? Como nos descobriu? Como sabe tanto sobre nós se só contactou por e-mail uma de nós?
Beijos prometidos

ParaMais disse...

Curiosamente... mais palavra, menos palavra, há uns anos atrás li num forum do Sapo um artigo também sobre a blogosfera erótica feminina muito parecido a tudo o que aí leio agora.
Principalmente nas ligações entre a escrita erótica na net e uma maior liberdade sexual feminina.
Não estou a sugerir que seja plágio (nem me parece), apenas a sublinhar a ainda grande diferença de importância entre algo escrito na net ou na imprensa escrita. Isto, para além da diferença (também) de se ter um nome público ou um nickname, claro.

Blue disse...

Olá boa noite! Fiquei muito surpresa!!! Obrigada pela informação...

kiss