quarta-feira, 22 de abril de 2009

Night and Day


Há uns anos atrás, em virtude de alguns contactos profissionais, comecei a frequentar algumas boites de Lisboa. Na época, estranhei um pouco aquele ambiente sórdido mas a pouco e pouco fui-me habituando e acabei por ter um certo fascínio por aquele mundo da noite. Quase todas as semanas visitava esses locais, normalmente após o fecho de algum negócio e como forma de agrado a alguns clientes mais importantes. Normalmente fazia-me acompanhar por um colega de trabalho da época, o Pedro, personagem sobejamente conhecido na noite de Lisboa. Por uma questão de princípio, nunca recorri a serviços de prostituição mas com o passar do tempo, algumas das raparigas foram-se habituando à ideia de que não pagávamos por serviços sexuais e foram adquirindo alguma confiança connosco. Não eram raras as vezes, em que eu e o Pedro servíamos como refúgio para uma boa conversa em noites pouco movimentadas ou quando queriam evitar clientes desagradáveis. Foi numa madrugada pouco movimentada de Setembro, que conheci a Renata, uma brasileira oriúnda da cidade de Londrina, localizada no estado do Paraná no sul do Brasil.


Lembro-me perfeitamente dessa noite. Estava eu e o Pedro no Night and Day, uma boite já antiga localizada na Av. Duque de Loulé, em Lisboa. Nunca simpatizei muito com este estabelecimento. Fica numa espécie de cave abafada e o ambiente não é dos melhores. No entanto, estávamos acompanhados de um cliente cinquentão já visívelmente embriagado. A conversa aborrecia-me cada vez mais e foquei a minha atenção num grupo de raparigas que estava numa mesa do canto. No meio delas, observo uma figura alta e esguia, de pele muito branca e longos cabelos negros. Os seus olhos eram meio rasgados que lhe conferia uma aparência exótica. O seu nervosismo era mais que evidente. Notei que se tratava de uma novata e estava assustada com aquele ambiente que a rodeava.
Minutos depois, chamei-a para a nossa mesa. Pedi um cocktail para ela. Fizeram-se as apresentações e iniciámos uma conversa de circunstância. Tratei de a pôr à vontade dizendo que não tinha intenção de sair com ela. Apetecia-me apenas conversar um pouco. Ao proferir estas palavras, foi como se lhe retirasse um peso enorme dos ombros e bem mais à vontade, foi-me explicando como tinha ido parar ali. Mais uma vez, uma história triste e degradante como já estava habituado a ouvir naqueles locais. A madrugada já ia alta e pouco depois despeço-me dela e dizendo-lhe que ainda nos haveríamos de voltar a encontrar. Ela sorriu e disse que eu tinha sido a melhor coisa que lhe tinha acontecido naquela noite. Apesar de todo o artificialismo destes ambientes, notei que ela tinha apreciado a minha companhia e pairava uma química no ar.


Fiquei algum tempo sem voltar aquela boite. Recordo apenas uma vez em que voltei lá e no momento em que estava a entrar, a Renata estava a sair na companhia de um cliente. Ao dar com os olhos em mim, ficou visívelmente embaraçada e nem nos cumprimentámos.
Voltaria a encontrar a Renata numa fria madrugada em meados de Novembro. Mais uma vez, eu estava na companhia do Pedro e o estabelecimento tinha pouco movimento. Ela viu-me de longe, abriu um enorme sorriso e veio na minha direcção. Pede para se sentar a meu lado e voltámos a ter uma conversa bastante agradável. A dado momento, ela segreda-me no ouvido que gostaria de sair comigo. Tive uma desilusão momentânea e respondi-lhe que não tinha por hábito pagar a mulheres. Ela responde-me de imediato que não tinha em mente ter-me na perspectiva de cliente. Fiquei aturdido com a sua resposta, fiquei ligeiramente embaraçado mas acabei por lhe dizer que não teria problemas em me encontrar com ela fora daquele ambiente. Às escondidas dos empregados, ela passa-me o seu número de telefone e combinámos um encontro para a tarde de domingo. Despede-se de mim com um sensual beijo que roçou os meus lábios. Escusado será dizer que nessa noite, já não me conseguia concentrar nas conversas do meu colega e tinha apenas a imagem da bela Renata a bailar-me na imaginação.


No domingo, depois de almoço, ligo-lhe para confirmar o nosso encontro. Ela deu-me a morada e por volta das quatro horas, dirijo-me para a Penha de França. Ela já me esperava na porta do prédio. Nos instantes iniciais, quase que não a reconhecia. Normalmente um homem esquece-se que estas mulheres encarnam de certo modo, um personagem glamorouso e sedutor naquele ambiente da noite. Talvez por isso, não tenha reconhecido de imediato aquela rapariga de jeans e camisola de gola alta cinzenta.
Ela entra no carro e pergunto-lhe onde gostaria de ir. Ela diz-me que gostaria de estar comigo, que desta vez era ela que necessitava de companhia e conforto que a fizesse esquecer, nem que por breves momentos, aquele ambiente pesado da noite. Vou-me encaminhando para minha casa, mas pelo caminho ainda páro num café, com o intuito de quebrar o gelo e conversar um pouco. Contudo, era evidente que Renata não estava disposta a grandes conversas e fulminava-me com um olhar que era puro desejo. Sem mais demoras, pago a despesa e seguimos rapidamente para o meu apartamento.
Mal entrámos no quarto, a Renata abraça-me e beija-me intensamente. Parecia sôfrega e sedenta de contacto com um homem que não lhe pagava para ter sexo. Deixo-me conduzir e envolver por aquele momento de loucura.


Pouco depois, ela já me estava a chupar o pénis de forma deliciosa. Eu já me sentia mais solto e seguro-lhe aqueles cabelos negros, enquanto ela afaga o meu membro com a sua boca e língua. Ao sentir que estava prestes a gozar com aquela mamada, debruço-me sobre ela e vou despindo-a lentamente. Vou descobrindo e beijando ternamente todos os recantos daquele corpo maravilhosamente esculpindo. Apalpo-lhe os peitos que eram pequenos mas extremamente rijos e sensuais. Avanço para eles com a minha boca e sinto que a pele dela se vai arrepiando sob as minhas carícias. Sem deixar de lhe chupar as mamas, vou avançando com as minhas mãos na direcção do seu sexo. Vou mexendo devagar. Sinto-a ficar húmida e minutos depois, já vou sentindo os meus dedos inundados pelo seu mel.
Ela pede para eu a penetrar de imediato. Diz que está a queimar de tesão e que deseja sentir-me todo dentro dela. Coloca-me um preservativo e coloco-me em cima dela, penetrando a Renata de forma lenta e sensual. Por breves momentos, penso enxergar uma lágrima escorrer pelo canto de um olho da Renata. Deixamo-nos levar por aquele ritmo durante minutos a fio. A sua vulva era quente, molhada e parecia apertar o meu pénis no seu interior. Um pouco depois, liberto-me daquela letargia prazerosa e começo a fustigá-la com mais intensidade. Ela vem-se quase de imediato e segundos depois esporro-me todo dentro dela.


Ela abraça-me ternamente e parece feliz. Encosta a sua cabeça no meu peito e ficámos a conversar sobre diversos assuntos durante algum tempo. Estávamos completamente descontraídos e libertos de uma certa tensão inicial. Daí a pouco, voltamos a fundir os nossos corpos em mais um coito intenso. Novo orgasmo quase em simultâneo.
Já se fazia tarde e Renata relembra pesarosamente que precisava de voltar para casa. Era hora de comer alguma coisas e preparar-se para mais uma noite de trabalho. Ao despedirmo-nos não fizémos promessas de nada e ela parecia novamente tensa.
O que é certo é que durante vários meses, fomos repetindo estes encontros, só que em sessões cada vez intensas e ganhando uma intimidade cada vez maior. Tal como eu previa, a Renata não aguentou aquela vida na noite durante muito mais tempo e cerca de seis meses depois, comunica-me que está de regresso ao Brasil. Espero que passados estes anos, ela tenha conseguido conquistar a paz que parecia perseguir desesperadamente e que seja muito feliz. Para mim, será sempre uma recordação muito agradável...





4 comentários:

Alentejanito disse...

Excelente história. É triste o que fazem com estas mulheres. Ela é apenas um caso em milhares deles. Prometem-lhes tudo, mas quando cá chegam, o inferno espera-lhes...É triste...

Abraço

T disse...

Desejo que tenha encontrado o lugar certo para ficar e para ser ela..ainda bem que não agunetou muito mais tempo assim. Ainda assim, não tenho duvidas que tenha sido uma eternidade o tempo em que se prostituiu.. lamento por ela...pelo que realmente está por detrás dessa mulher!
E ainda bem que teve alguem aqui com quem ela pôde ser verdadeira..

Um beijinho bom*

S disse...

Faço minhas as palavras da minha T.

Há sempre um tempo em que se pode ser feliz.

Fátima Abreu disse...

MUITO INTENSO...ADOREI, MEU QUERIDO...BEIJINHOS EM TUDO...