quarta-feira, 24 de junho de 2009

Dunas I


Apesar das obras iniciais terem decorrido sem grandes transtornos, só ao fim de nove meses os primeiros pilares dos edifícios se mostraram. Foi também levantasa a vedação de toda a propriedade com arame farpado e estacas de madeira. Foram ainda traçadas as bases de todas as estruturas de lazer, bem como os caminhos e estradas que tudo ligariam e cuja conclusão ficaria para uma fase mais adiantada do projecto daquele condomínio.
Foi numa tarde de sol radioso e um céu em tons de azuis vibrantes que eu, cansado de observar a azáfama das obras, sem informar quem quer que fosse, entrei no buggy e segui ao longo da praia imensa e deserta naquele dia de semana. O empreendimento estava a ser construído por dois sócios noruegueses e eu ia todas as semanas visitar o andamento da construção, com o intuito de informar alguns clientes que me pediam informações sobre os prazos de entrega das moradias.
Ultrapassei o poste de demarcação da propriedade, que era sempre tocado pela água na maré alta. Lá bem no alto das dunas, uma enorme placa de madeira escura indicava o nome daquele local, cuja inviolabilidade se pretendia preservar: Refúgio do Siri, lia-se em tinta branca e gorda.

Ao fim de alguns quilómetros, parei, saí da viatura e resolvi prosseguir a pé, o que fiz durante largas centenas de metros. Desde que abandonara a obra não voltara a ver viva alma nas redondezas. Quando me cansei, por me convencer de que jamais chegaria a algum lugar que não tivesse dunas, água e matagal, resolvi inverter o sentido da caminhada e dirigir-me para o veículo, que já perdera de vista há muito, devido a uma curvatura acentuada da linha de costa.
Caminhava pelo areal, descalço com os chinelos nas mãos e sorria. Para mim, o Brasil era aquilo. Calor, sol, o mar de águas mornas e uma infinita sensação de liberdade difícil de definir em palavras. Mergulhado nestes pensamentos, que me abstraíram por alguns minutos de todo o cenário envolvente, nem dei conta que já passara o local onde deixara o buggy e não o vira, nem podia pois ele não estava lá. Fui então desperto pelo ronco de um motor a aproximar-se, vindo do coqueiral. Olhei: o meu buggy era conduzindo por uma jovem que não aparentava ter mais de vinte anos. O veículo parou perto de mim, que, atónito, tentava voltar à realidade por continar sem perceber o que se passava.

- Acho que o senhor anda à minha procura...o senhor não devia deixar seu buggy por aí com a chave na ignição - avançou sedutora e com um contagiante sorriso, no seu português açucarado. Enquanto falava, a rapariga passou para o lugar do pendura e bateu com a mão no assento do condutor, como que a chamar-me para o seu lado.
- Antes de mais, gostaria de saber quem você é... - respondo por fim, com voz áspera, resistindo ao convite e optei por me aproximar da frente da viatura.
- Sou a mulher de que o senhor precisa - respondeu expedita, fazendo alastrar o sorriso a todo o rosto.
- Espera um pouco...gostaria de saber o que fazes no meu buggy. Espero que não esteja ali ninguém escondido no coqueiral! - de repente, fiquei assustado com a perspectiva de um assalto.
- Calma! Estou sozinha, mas se quiser posso ir buscar uma amiga - a mulher preferiu levar a pergunta para uma matéria que daria indicações sobre as suas intenções, desvalorizando os meus receios.
- Não sei onde foste tirar essa ideia de que preciso de mulher... - finalmente eu caí em mim e optei por me sintonizar com o espírito que adivinhei ser o dela. Não consegui ser contagiado por um misto de ingenuidade e volúpia que emanava da rapariga.
- Achei você uma graça e seus olhos são lindos demais. Gostei de você desde que o vi pela primeira vez. Além disso, homem que gosta de mulher ao fim de uma semana sozinho já está necessitado... - lançou em jeito de desafio e provocação.
- Mas nada te garante que eu gosto de ti - atirei sorrindo, beliscando propositadamente o ego feminino. Todavia, ela não se mostrou minimamente incomodada, parecia mesmo que vinha preparada para uma reacção deste tipo. Aliás, apesar da sua juventude, parecia precavida para tudo e respondeu:
- Os olhos nunca mentem!
- Gostaria de saber como uma mulher tão jovem já sabe ler os olhos de um homem...
- Há coisas que uma mulher tem que aprender cedo - replicou, firme, mantendo um olhar fixo em mim.
- Está bem, acho que entendi - eu parecia pronto a baixar a guarda, porém recompus-me rapidamente e voltei a atacar:
- Só uma dúvida que eu tenho...não entendo como é que apareceste aqui sozinha nesta praia deserta.

A rapariga saíu do buggy e avançou lentamente para mim, exibindo toda a sua feminilidade e beleza. Tinha cerca de um metro e setenta de altura e vinha com os pés descalços, o que lhe dava uma graça natural, quase selvagem, em sintonia com a paisagem envolvente. Vestia uns calções curtos de ganga coçada de um azul esbranquiçado, que deixavam a descoberto umas coxas grossas, cativantes, e uma blusa fina de cores claras, apertada à frente com um nó, deixando ver grande parte dos seios volumosos. Destacavam-se no tecido fino, dois pequenos relevos provocados pelos mamilos erectos. O cabelo preto com reflexos azulados cobria-lhe parcialmente o pescoço. O rosto redondo de pele sedosa continuava sorridente, mas grande parte da confiança que mostrara até ali fora-se com a distância que a separava de mim.
- Você fala de mais...isso agora não interessa para nada - respondeu, melosa e ainda assim de voz firme, enquanto me subia a t-shirt, sem pedir licença e sem que eu fosse capaz de reagir.

Continua...

2 comentários:

Katy disse...

Hmm.........delicioso....já disse que amo a forma como você descreve cada detalhe??? Genial....
Continua logo, vai!
Beijinhos.

P.S.: Quisera eu que o Brasil fosse só "Calor, sol, o mar de águas mornas e uma infinita sensação de liberdade"...
seria o Paraíso.

goti disse...

Hum....aguardamos novos desenrolares...
Beijos doces!!!